segunda-feira, 6 de setembro de 2010

1ºdia - vamos lá :)

Depois de tudo arrumado na mochila :)

Dia 8 de Junho: ao final de um dia de trabalho, fizemos uma viagem até Viana do Castelo, para ficarmos a dormir na casa da Rita.

Dia 9 de Junho: Acordamos cedinho para irmos até à Estação da CP e aí começou a sessão fotográfica :) (o comboio partiu às 7:31m e chegou a Valença do Minho às 8:18m).

Chegámos a Valença e pedimos o nosso 1º carimbo na Estação da CP. Começamos aí a nossa caminhada até Redondela. Fotos e mais fotos...
Chegamos à fronteira (ponte de ferro), mais uma foto :)...eu ia toda entusiasmada. Na Catedral de Tui pedimos outro carimbo. No caminho tudo me parecia lindo, até chegarmos à zona industrial de Porrinho, talvez os 7kms piores de todos (carros, camiões, mt barulho, fábricas de um lado e do outro...). Aqui juntou-se ao grupo o nosso amigo Aquarius. Continuamos até Mós, pensámos que estávamos quase a acabar a 1ªetapa, mal sabíamos nós que ainda faltava muito para chegarmos a Redondela, cerca de uns 10kms. Aqui já tinha bolhas nos pés :(. Da entrada de Redondela até ao Albergue parecia que tínhamos andado mais 10Kms e foram cerca de 3Kms +/-.

http://www.rurismo.com/alojamientos/mostrar_foto.asp?cod_hotel=4433&cod_prov=PO&cod_foto=4433_1.jpg


Chegámos ao Albergue, apresentámos o B.I, a credencial e pagamos 5,€. Subir escadas, NÃOOOOOOOOOOOO! Mas tinha de ser para irmos para as nossas caminhas. Nem sei o q devia de fazer, tirar a mochila, as botas, e deitar-me ou seria melhor tirar apenas a mochila e ir jantar 1º? Bem vamos lá jantar...chegamos tarde e os albergues fecham às 22H. Jantamos num cafezinho de frente para o albergue, onde nos atenderam mt bem (só foi pena não haver sopinha quentinha!). Por fim banhoca, tratar os pezinhos e dormir... dormir, ou não! Nunca pensei que estando mt cansada não conseguisse dormir devido ao ressonar de algumas pessoas. O pouco que dormi soube-me muito bem e deu para recuperar a energia para o dia seguinte.

Beijocas e até ao 2ºdia

Lili

2ºdia - consigo andar?

Oi amigos!
No 2ºdia, pensei que estivesse pior. Além das bolhas nos pés, a nível muscular estava razoavelmente bem. No fim de arrumarmos tudo aí fomos nós ao mesmo cafezinho onde jantamos. O meu pequeno-almoço soube-me tão bem (leitinho com chocolate e torradas com manteiga)! Em seguida fomos tirar fotos em frente ao Albergue de Redondela e seguimos até Barro. De manhã estava calor, bebi a minha água toda, não me restou outra alternativa, se n tocar à campainha de uma casa que tinha a porta aberta, a Sra. foi mt gentil pois a água que nos ofereceu reforçou as forças para mais uns Kms. Chegámos a Pontevedra, eu e a minha prima (Nice), sentamo-nos num cafezinho que encontramos logo à entrada com esplanada à beira da estrada e esperámos pelo resto do pessoal para almoçarmos. Apesar do atendimento ter deixado mt a desejar, o almoço soube-nos bem. Quem vai e quem fica? A Alexandra tinha as “unhas” a deitar sangue, o Ulisses tinha os pés cheios de bolhas, a Filipa e o Sr. José António tinham dores musculares, acabaram por ficar em Pontevedra e não seguiram com o resto do pessoal . Ana vais connosco ou ficas? Decidiu continuar… Mochila às costas e aí vamos nós continuar o caminho…começámos a subir e vem uma Sra. a correr atrás de nós, estávamos enganados, oh não! Voltámos para trás, e seguimos até ao centro de Pontevedra para bebermos um cafezinho, comprarmos a comida (para o jantar e pequeno-almoço) e irmos à farmácia comprar mais Compeeds. O tempo estava a escurecer, eu e a minha prima ficamos para trás, pois ela não estava muito bem da barriga ;), começou a chover e nunca mais parou até ao Albergue. O caminho estava péssimo, em certos sítios parecia um rio, noutros era só lama devido às obras que andam a fazer para o TGV. Chegamos a Barro, os nossos amigos já aguardavam por nós, sentados numa esplanada de um cafezinho a comerem polvo. Aqui, comemos uma canja c grão de bico, que nunca nos esqueceremos, pois estávamos gelados, continuava a chover mt… Por fim, aí fomos nós debaixo da chuva que teimava em não parar, até ao nosso albergue solitário, que eu adorei :) (apesar de ter tomado banho com água quase fria, de não ter camas, de andar lá um ratinho…). A seguir ao banho, foi a sessão dos curativos nos pés, o nosso médico particular (Aquarius) fez uma intervenção nas unhas da Ana como a Rita explicou e eu tive de furar as minhas bolhas todas (q infelizmente não eram poucas), era só fios nos pés eheheehhe. Mas o mais importante é que deu para dormir muito bem. A minha prima dormiu em cima de um banco com medo do rato (foi um riso). Aqui dormiu também o nosso amigo Luís (Espanhol), que tinha ficado ao pé de mim no albergue em Redondela.
Deu para restabelecer o sono perdido na noite anterior e começar o caminho como nova (ou não, lol!)

Beijocas até à 3ªetapa

Lili

Os meus pezinhos

Aqui deixo duas imagens que merecem especial destaque :)
Ai bolhinhas...

Uma beijoca para todos.


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

1º dia visto por mim

Ora finalmente cá estou eu conforme prometido para partilhar convosco a minha experiencia, assim sendo há que começar pelo princípio. Já há algum tempo que tinha decidido fazer o Caminho de Santiago, só não sabia quando, já que não me aventurava a fazê-lo sozinha. Quis o acaso que a Lili e a Rita fossem fazer o Caminho com alguns amigos precisamente na altura em que eu estava de férias. Ora como não tinha planos para as férias tratei logo de “colar-me” ao grupo. Como fui bem aceite, comecei entusiasmadamente a ajudar a Lili nos trabalhos de casa, ou seja, na elaboração da lista com o que deveríamos levar, na pesquisa de sites e de blogs com dicas sobre o caminho, na compra do equipamento, etc. Tentámos também preparar-nos fisicamente para o dia, com umas caminhadas ao fim do dia, mas estas acabaram por ser apenas 2 ou 3. Ah! E não esquecer a árdua tarefa de fazer a mochila. Depois de feita, pesada e refeita algumas vezes, finalmente ficou pronta!

Chegou o dia da partida e confesso que estava um pouco apreensiva, não sabia muito bem o que me esperava, já que nunca tinha feito nada do género e apenas conhecia 3 elementos do grupo (éramos 10 ao todo). Ainda em Caldas conheci a Filipa e a Alexandra com quem fizemos a viagem para Viana do Castelo, pois aí iríamos pernoitar em casa da Rita.

Logo na 4ª feira (dia de inicio do caminho) começaram os sacrifícios, já que ter que levantar cedinho é coisa que detesto, mas enfim… era por uma boa causa. Após nos juntarmos em casa da Rita e de nos apresentarmos uns aos outros, seguimos (todos menos o Aquarius) para a Estação de Viana do Castelo onde apanhámos o comboio para Valença. Já em Valença foi preciso retirarmos da mochila a capa da chuva pois esta ameaçava tornar-se mais forte. Saímos de Valença pela ponte ferroviária para entrarmos em Tuy já território galego, aqui parámos na catedral para carimbarmos a credencial. Estava já a preparar-me para seguir caminho, quando ouço chamar “-peregrina, peregrina” lá me aproximei e o senhor (já com alguma idade) ofereceu-me uma pregadeira com uma seta amarela. Claro que fiquei à espera que a seguir me pedisse uma moeda e qual não foi o meu espanto quando tudo o que ele disse foi: “-sigue las flechas amarillas como esta” e me presenteou ainda com sorriso. São pessoas assim, despretensiosas, que tornam o Caminho único. Deixando Tui para trás lá segui viagem tendo por companheiro de caminhada durante a maior parte da manhã o Ulisses. Pouco depois deparámo-nos com o primeiro trecho de estrada de alcatrão, onde uma berma pintada a vermelho, cria alguma segurança. Segue-se uma das mais belas (e emblemáticas) partes do Caminho – A Ponte das Febres – logo após entrámos numa pequena povoação e não é que encontro à berma da estrada uma máquina de café Delta e uma com chocolates. Corri para a máquina desejosa do meu cafezinho matinal, mas infelizmente estava avariada (pudera ali ao sol e á chuva). Acabei por me contentar com um Kit Kat da máquina do lado que gentilmente partilhei com um cãozinho que se aproximou de mim com um olhar pedinchão : pois que o caminho é feito de partilhas. Pouco depois e ainda antes de entrarmos na malfadada recta de Porriño parámos perto do bar de Suzo para comermos as nossas sandes, e tomar um cafezinho no referido bar. Foi aqui que obtive a minha Vieira, símbolo do caminho, oferta do dono do bar. Após um curto descanso lá seguimos em direcção a Porriño. Na recta do polígono industrial de Porriño (7 kms de puro desespero) o Aquarius juntou-se ao grupo. Á entrada de Mós fiz uma pequena pausa junto a uma fonte onde tive a oportunidade de conversar um pouco com um espanhol e duas espanholas que também estavam a fazer o caminho. Após uns momentos de pausa seguimos para Redondela. Á saída de Mós existe uma subida muito íngreme que parece que nunca mais acaba. Acho que foi aqui que comecei a esmorecer e ainda faltavam uns kms para Redondela. Quase a chegar ao cimo o Ulisses deixa cair o bordão e não é que este começa a rolar ladeira abaixo fazendo com que o desgraçado tenha que fazer uma pequena corrida para o apanhar. Mas apesar de tudo não se pode desistir e há que andar para a frente, é que a seguir vem a descida para Redondela e eu não sei o que é pior, se as subidas se as descidas. Aqui confirmei mesmo que as descidas são piores, muito piores. Esta descida fi-la com a Cristina, precedidas de perto por uns “cromos” que estiveram quase, quase a sentir o peso do bordão da Cristina nas costas, mas finalmente lá nos conseguimos livrar deles. Afinal também há “palermas” no Caminho, claro que tinham que ser tugas :D Chegadas a uma “obra” perguntamos aos trabalhadores se faltava muito para Redondela ao que eles responderam que faltava apenas 1 km. 1 Km para eles porque para nós pareceram 3 ou 4. Finalmente entramos em Redondela e chegamos ao albergue. Quando depois de termos feito o “check in” me deparo com umas escadas ia morrendo, mas lá as subi e resolvi esperar pelos companheiros ali mesmo, enquanto a Cristina lá arranjou coragem para descer novamente à espera do grupo. Depois de um banhinho retemperador resolvemos ir jantar. Descer aquelas escadas foi um suplício, sempre que dava um passo as minhas pernas tremiam e eu só me perguntava quando é que iria me desequilibrar escada abaixo. Com alguma dificuldade lá atravessei a Praça para comer qualquer coisa e voltar para o albergue para dormir. O cansaço era tanto que mal dei pelos ataques epilépticos do casal da frente ou pelos roncos do Zé António.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Olá a TODOS!

Venho por este meio, perguntar se me dão autorização para "arrumar a casa", ou seja, colocar as postagens todas juntas, do tipo 1ºdia, 2ºdia...
Beijocas

domingo, 11 de julho de 2010

Fotos do 2º dia

Como a ritinha não conseguiu colocar as fotos do 2º dia, decidi tentar eu e deixar aqui algumas das fotos do dia 10.




Pequeno almoço no tal cafezito em frente ao albergue de Redondela antes de iniciarmos mais uma etapa


Á saída de Redondela


O merecido descanso dos "guerreiros"


Na esplanada junto à rotunda de Pontevedra "picando" um puelvito e revueltos


Finalmente o albergue de Barro. Uns dormiram mesmo no chão mas houve quem por uma boa razão decidisse dormir em cima de um banco :)


E pronto! Estas foram algumas das fotos do 2º dia. Prometo voltar cá para responder ao desafio lançado pelo Zé Tó, mas não hoje nem nos proximos dias que o tempo livre tem sido escasso.

Beijinhos e até à próxima

fotos do 2º dia com direito a rato







sim. esta é a prova de que a nice dormiu em cima do banco com medo do rato.











pés de peregrino



















ai os pés











sempre a subir























a tal aldeia que nos fizeram subir, quando afinal podíamos ir sempre em frente...


















aqui ainda com a Filipa












a tal ponte romana que tinha uma praia muito gira do outro lado

2º dia Redondela-Barro

Finalmente alguém resolveu passar para o segundo dia. Pena que nem todos tenham partilhado a experiência pessoal do primeiro...
Depois de dormir o que foi possível, ou seja quase nada, chegou a hora de levantar. será que consigo? será que está tudo no sítio? vamos experimentar. um passo atrás do outro, fazendo de nós míseros mortais meios "entrevados", mas lá atravessámos a pequena praça que nos separava do café da frente, onde estava o nosso amigo, puto, mas giro, com a mesma camisa do dia anterior. Pequeno almoço, foto de partida em frente ao albergue lá fomos nós a contrariar o corpo que só pedia para ficar por ali sossegado. mais um dia com subidas infernais e descidas quase nem vê-las. eis que ao fim da subida mais ingreme, vislumbro uma fonte...água...água. eu que sou "esquisita" e que acho qu a água espanhola não é boa, bebi o nécter precioso como se melhor não houvesse. de novo ao caminho até que chegámos a souttoMaior, passámos a ponte romana, uma praia lindíssima. podíamos ficar por aqui, que acham? sem delírios toca a andar. do outro lado da ponte um morador confundiu-me com uma alemã (tem tudo a ver sou alta, loura...) e as setas também nos confundiram... fizeram-nos andar às voltas pelo meio de uma aldeia, muito bonita por sinal, mas nós só queríamos ir para santiago. é aborrecido chegar ao fim da aldeia e ver que voltámos à mesma estrada do ponto de partida. não há condições. poupem-nos. lá continuámos e já não me lembro do caminho até chegar a pontevedra. ao vislumbrar a dita, sentámo-nos logo no primeiro tasco numa pequena esplanada à beira da estrada. e eis que passa o amigo espanhol que dormiu connosco no albergue em redondela. um dois esquerdo direito e sempre a andar... tal como nos contou aquarius, o nosso amigo ulisses que fala tão bem espanhol como português, pediu um "puelbito". Aqui já a alexandra que vinha com as unhas a deitar sangue decidiu que não ia continuar, a Filipa juntou-ae ao grupo e os cavalheiros Ulisses e Zé antónio fizeram questão de ficr com as senhoras. Seguiram 6 e não 4 como referiu aquarius (eu, a minha mana - Lili, a prima Nice, a Ana, a Cristina e aquarius Zetó). Entre paragem na farmácia, no café, no wc, no supermercado para abastecer para o jantar, de facto nunca mais se arrancava, o tempo estava a passar, escurecia e começava a chover. Finalmente lá partimos. Chuva, lama, uma estrada que parecia um pequeno riacho, rodeada de floresta densa e lá fizémos os 10km até Barro. À frente, a bom ritmo, a Ana e a Cristina, de seguida eu e o Zetó e por fim a alguma distância, a Nice e a Lili que atrasaram para que a Nice (e não a LIli) pudesse deixar pelo caminho algum peso... e pudesse continuar porque ali ninguém podia desistir. ao terminar a subida, a miragem da "casa del pulpo" da qual recordamos todos a canjinha com grão de bico que ficará para sempre na memória de quem a provou. Retemperadas as forças, o km final até ao albergue. Chave na porta, sem alberguista, cheiro a mofo, colchões de esponja sem forra, nojentos, espalhados palo chão (por sorte todos seguiram o meu conselho e trouxeram as protecções de colchão que nos deram no albergue anterior, caso contrário, só de pensar pôr um braço de fora e tocar naquela esponja, rrr). banhos, casas de banho enfim, água quente só para os primeiros... hora de tratar dos pés. os das lili pareciam uma árvore de natal com tantas linhas penduradas, os da nice-uma lástima, a ana com as unhas com sangue pisado o que levou o zetó a fazer uma intervenção (picou-lhe a unha com uma agulha quente para drenar o sangue) claro que a ritinha pôs-se ao fresco. os meus, os da cristina e os do zetó-nota 20-sem mazelas. temos visitas, companhia, chegou o marinheiro que vinha procurar as sereias... instalou-se e enquanto a Nice picava as suas bolhas, outros "picavam" uma comidita. a Cristina perguntou-lhe se ele queria "picar" alguma coisa (comida) e a nice que é do sul e não conhece a expressão ofereceu-se prontamente para o "picar" a ele ( ou melhor às bolhas). Seguiu-se uma grande risada que a nice só descodificou no dia seguinte e que queria poder apagar. sono. finalmente vamos poder dormir uma noite sossegada, sem roncas. acham que sim? estão enganados. desde o relógio da igreja que tocava de meia em meia hora, às pequenas roncas que não tinham tido oportunidade para se manifestarem no dia anterior porque não tinham consegudo dormir, e até a companhia de um pequeno e simpático rato que fez andar muitos atrás dele, pôs a nice a dormir em cima de um banco (como s ele não subisse...) e o espanhol (Luís) sempre a dormir. foi uma aventura, mas uma noite santa, pelo menos para mim;-)
até amanhã

sábado, 10 de julho de 2010

TOCA A SEGUIR, QUE SE FAZ TARDE...

Já sinto as pernas presas de não passar do primeiro dia, que me vou fazer ao caminho!
Segundo dia, 10 de Junho, feriado em Portugal. E o que é que isso interessa se agora o que cada um está a fazer é o inventário do seu sistema músculo esquelético, à mesa do tal cafezito do rapaz bem apessoado, por terras de Redondela. Tudo bem contado não falta nada - os músculos, ossos, tendões estão todos, e já estamos em frente do albergue para a fotografia de partida (essa que aparece num post anterior), todos sorridentes. Sai-se de Redondela a subir, que doutra forma nem nos lembraríamos, porque o raio do caminho deve levar ao céu que não me lembro de nenhuma descida ligeira - há umas descidas que dão cabo dos gémeos e dos costureiros(são músculos, não é gente!), mas isso era quando desistíamos da salvação e parecíamos rumar ao Inferno. Mas minto - ainda o dia ia leve e descíamos uma vereda, com a Ria de Pontevedra de cenário pela esquerda, passa por mim um atlético caminheiro, em passo acelerado e tão arranjadinho que logo na minha mente assentei que era bávaro o rapaz. E por isso nessa noite foi em inglês que a ele me dirigi quando vi que pretendia assentar arraiais ao meu lado... mas isso foi muita chuva depois! Por essa altura chegávamos a Soutomayor e percorríamos um belíssimo trecho, ainda sem chuva que essa só chegaria pela tardinha. Atravessada a ponte romana e calcorreando as ruas típicas de lage da povoação seguinte, era no céu que nos sentíamos. O atento transeunte achou que a Rita era alemã, ou de outro estrangeiro qualquer e que nós devíamos ser uma cambada de idiotas, porém, alegres!
Depois o mastigar de quilómetros é que torna a coisa mais dorida e aquela estrada para chegar a Pontevedra, não ganhou nada em ser tão comprida! Portanto lá fomos encostando naquela esplanada ao pé da Rotunda que anunciava a capital da província. E não é que não foi mesmo um puelvito, junto com a tortilha e os revueltos ...
E aqui começaram-se a deitar contas à vida: alguns já tinham dado tudo para o peditório do dia, outros ainda se sentiam nuito generosos e por último houve aqueles que não quiseram ficar atrás (duns e doutros). Para minha surpresa a Alexandra, que vinha em tão boa pedalada, resolveu ficar; sem surpresa o Ulisses acompanhou cavalheirescamente as duas damas mais necessitadas; a Eunice começando a revelar uma têmpera que me surpreendeu até ao último dia, continuou; a Ana sabia ao que ia e portanto "seja o que fôr preciso". E dessa foram se deu a Grande Cisma do Caminho - quatro ficaram para dormir em Pontevedra, o que se revelou fatal e os outros quatro prosseguiram para Bairro, 12 ou 13 Kms à frente e outros tantos metros cúbicos de água, por cabeça, que Deus é grande e resolveu pô-los à prova. À prova mesmo esteve a Lili, que enquanto lhe caíam cântaros por cima, despejava alguidares por baixo...
Atrasada a saída de Pontevedra, com a chuva a engrossar e a tarde a cair, tive o único momento do caminho em que me arrependi de levar tantas mulheres por companhia! E ainda por cima se nos haviam de juntar como companheiras de ocasião mais seis, meio dondocas, que faziam o caminho em regime de jogging assistido!
O bucólico caminho na margem fresca de um ribeiro, mais parecia o cenário de um combate na lama. Roupa irremediávelmente encharcada, jorros de lama nas inclinações, trajectos alagados sem alternativa e aquelas inspiradoras lesmas castanhas gigantes. Cada um guardará deste trajecto as memórias próprias, mas uma coisa é certa - quanto mais custa, mais gozo dá!
Quando os ossos começavam, também eles a ser irrigados pela chuva que já perspassara a pele, os músculos, as aponevroses, eis que lampeja no horizonte duma subida o mirífico anúncio, envolto em eflúvios celestiais de CASA del PULPO.
Ir-se-iam os caminheiros abrigar debaixo dum telhado a comer os membros tenros do molusco?
Não conhecem a alma desta gente - ficaram ao ar livre, ainda que abrigados por um modesto alpendre e foi então que todas as contrariedades do dia ficaram neutralizadas por uma canja com garbanzos, quente e retemperadora.
Daí até ao albergue foi um pulo e o que mais se passou nesse dia deixo para quem venha a seguir, embora não deixe de lembrar as sábias palavras da Lili, que considerou aquele tugúrio o melhor poiso de todo o caminho ... E verdade que não faltaram surpresas ... Cá esperamos o depoimento, sentido, claro, da Eunice... E porque não chamar a depôr o recém chegado a quem queriam "picar"! Um noite inolvidável ...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O caminho hoje

Imaginem-se hoje no caminho, com 37º. O que é que mais queriam? A mim claro...
Cristina, temos novelista!, isto está a prometer ...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

No princípio era o verbo... ir

Quando o dia começou, às sete da matina, no local previamente combinado, primeiro foi o conhecimento dos elementos vindos do Sul. 1ª impressão boa. Depois, foi tirar o ar de surpresa da cara de alguns dos "colegas" pela minha presença. (até hoje estou para perceber!!!) De seguida, o nervoso miudinho na estação de comboios de Viana. Logo ali, o encontro com malta conhecida: não via a Renata e a irmã há anos e vamo-nos logo encontrar ali! E a doce da Linda! A viagem até Valença com a pergunta na mente: será que vou conseguir? Oito e meia da manhã, chuva a ameaçar cair com mais intensidade, mochila às costas, ar aterrador e siga que prá frente é que é o Caminho. Começamos bem, cheios de enregia e a parar de 100 em 100 metros para foto. Cinco kilometros depois, já a veia de fotografos lhes tinha passado!!! Na Catedral de Tuy ainda o entusiasmo era grande. Confesso que a passar a zona industrial de Porrino, já a coisa esmorecia. Por companheiro de jornada para 1º dia, o amigo Zé António. E caminhavamos. Ao passar no Albergue de Mós a tentação foi grande. Eu ficava já ali. À nossa frente uma subida, quase a pique, prá aí com 5 Km (mentira, eram 500 metros, mas juro que era o que parecia!!!), mas a malta é masoquista e vamos lá. E andamos e subimos e - horror - descemos muito Caminho. Pelo meio, encontramos uns cromos (lembras-te Nice?) que estiveram quase quase a levar com o pau pelas costas. E quando tal, a informação aterradora de que ainda faltavam três Km até chegar a um banho quente e uma cama. Confesso: chorei. De desespero, de angústia, de frustração. Mas lá consegui transformar tudo isto em vontade de chegar ao centro de Redondela. A subida para a camarata foi feita de gatas, literalmente. Doía tudo, até a alma. Fui a primeira a chegar. Pousei a mochila e voltei a descer as escadas à espera dos companheiros, e cada um que chegava era a satisfação. Depois do banho e vistas as mazelas, era hora de comer qualquer coisa. A custo, conseguimos atravessar a Praça. O tipo do café era além de simpático, giro. Pena não ter o hábito de mudar de camisa, mas isso já são outros quinhentos!!! A noite tenebrosa!!! Para além dos ataques epiléticos dos amigos da frente, havia o gajo que fala a dormir e (mil perdões Zé António!) o homem que mais ronca à face da terra. Já agora, vocês os dois não voltam a dormir no mesmo edifício que eu. Sim, edifício!!! (Obrigada Lili pela boa vontade de me cederes um lugarzinho ao pé de ti :=) ) às voltas na cama, só pensava que na manhã seguinte não iria ter coragem para continuar. Estava demasiado dorida e cansada. Quando finalmente o meu companheiro do lado esquerdo se calou e o do lado direito teve pena de mim e decidiu levantar-se, adormeci. Foi um soninho reparador. Às sete lá estava a pé, mochila às costas e bora lá tomar o pequeno almoço. Depois logo se via...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aos especialistas

Bom, isto está a animar! Como faço para comentar um post? É que não consigo!

Antes do Caminho - COMO PREPARAR A VIAGEM?

Já que vamos fazer o diário, então prefiro começar pelo ínicio. Já o ano passado marcámos a data, mas por motivos alheios teve que ficar suspenso, até este ano a mana ter voltado a falar no assunto. Falou-se nisso, marcou-se uma data e começou-se a desafiar os peregrinos... A Lili, a Filipa e a Alexandra fizeram o tpc... horas na net, muita pesquisa sobre os km, albergues, etapas, preços, compras, preparação... muito entusiasmo desde sempre. Eu, como sempre, desorganizada como sou com o meu tempo, deixei tudo para depois... compras à última hora, mochila preparada de véspera (os que vieram do sul, podem comprová-lo), mas com muita vontade, até ao dia da partida. Quando coloquei a mochila às costas depois de recheada... o desanimo foi total... pensei "não vou conseguir chegar lá com este peso às costas". duas grandes amigas foram levar-nos à estação para apanharmos o combóio das 7.31 para Valença, tudo entusiasmado a tirar as primeiras fotos do caminho e eu só pensava que não ia aguentar com aquele peso. ... Chegada a Valença, primeiro carimbo na caderneta na própria estação e aí vamos nós começar o caminho. Éramos 9, faltava o Aquárius que iria ter conosco um pouco mais tarde. Muito ânimo, fotos a toda a hora... 1ª paragem na catedral de tui... ainda em tui pedimos a um espanhol que nos tirásse uma foto de grupo. ele prontificou-se de imediato, mas por mais que o Ulisses lhe dissesse qual era o botão que tinha de carregar, ele carregava sempre ao lado e desligava a máquina.. Até que à 3ª o Ulisses agradeceu, fez de conta que ele tinha tirado a foto e tirou ele uma ao resto do grupo.
o caminho continuou até porrinho onde encontrámos aquarius que vinha em sentido contrário ao nosso encontro... Agora já de grupo completo (10) lá fomos até redondela. quando chegámos a Mós, já eu esperava que estivéssemos quase a chegar e tinha vontade de ficar já ali. achava que não aguentava muito mais. já nem conseguia ficar parada para a foto. só queria continuar para acabar com aquelas dores nos pés. Mal eu sabia que ainda tinha que percorrer mais cerca de dez km. Nunca mais tinha fim aquela etapa. sobe, desce, chuva, dores.... ai ai que não posso mais. Quando finalmente vi a placa a dizer redondela, à entrada da cidade, só me apetecia sentar no chão a chorar e a fazer birra como os miúdos pequenos a dizer que "não quero mais, não ando nem mais um passo". mas lá fui mais 1 ou 2 km (já nem sei) até ao albergue. FINALMENTE. depois de me estender naquela cama, eu não queria mais nada... não me peçam para me mexer, não me falem em andar mais um metro à procura de sítio para comer... depois de um tempinho a recuperar, lá se arranjaram forças para ir jantar, tomar um banho e ver que os pés estavam impecáveis, sem qualquer mazela... mas muitos do grupo já chegaram nesse dia com os pés em muito mau estado. O resto da noite no albergue já foi devidamente descrita por aquárius, mas dormindo ao não lá se recuperaram forças para recomeçar no dia seguinte... até amanhã
ritinha

Comecemos pelo princípio : Primeiro dia !

Como viveu cada um o primeiro dia? Ou querem começar com o antes!?
Eu comecei a caminhada ao contrário! Saí de Porrinho a andar para trás à procura dos companheiros...
E pensei que estivessem logo ali... Via um grupo ao longe e pensava: lá vem eles!, mas só foi lá para o décimo! Entretanto fiquei a conhecer quase todos os pregrinos daquele dia.
Depois já a andar no sentido correcto, passou-se Porrinho e começou-se a subir que parecia que nunca mais acabava! Mas houve segunda dose de subidas e depois descidas bem íngremes. Com Redondela à vista e muita chuva na cabeça, começaram-se a fazer contas ao que faltava, metro a metro. Depois lá apareceu a placa de 1 Km para o albergue que são pelo menos 2, mas anima! Chegar ao Albergue é neste primeiro dia, como para um naúfrago encontrar a lancha da Marinha.
Já lá iremos, mas não fui eu que dormi no beliche da Marinha...
Também mantendo o ambiente marítimo poderemos falar da ronca, que não deixou ninguém se perder no nevoeiro dessa noite.
Grave mesmo, tirando as bolhas que já começavam a colonizar alguns pés, foi só o caso daquele casal nórdico que sofreu um ataque epilético a meio da noite, mas acabou tudo bem felizmente ( tirando alguns invejosos, que até a doença cobiçam!).
Pronto, as memórias do primeiro dia estão abertas! Venham lá elas ...

Aquarius

domingo, 20 de junho de 2010

Grupo


Aquarius aqui fica uma foto em que também estás. :) Peço desculpa à Ana pela usurpação, mas não possuo nenhuma com o grupo todo ao contrário do que julgava. Esta foto foi tirada em frente ao albergue de Redondela no início da 2ª etapa.
As minhas desculpas também a ti Aquarius em nome de quem fez o post anterior com a outra foto, sabendo com a certeza absoluta que não foi intencional.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

MAIS UM BLOGGER

Aquarius entra em acção!
O nome não tem a ver com a era de Aquaris. Também não tem a ver com o signo - sou touro. É então isso mesmo!
Ficam já a saber que só volto a blogar quando repuserem como foto de entrada uma em que eu esteja! Sim sou eu ...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Todos os elementos


Nós ainda em Portugal :)
CRISTINA, LILI, NICE, RITA, ULISSES, ANA, ALEXANDRA, JOSÉ ANTÓNIO, FILIPA

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Este blog nasceu para dar a conhecer os caminhos trilhados por um grupo de amigos no percurso para Santiago de Compostela