Venho por este meio, perguntar se me dão autorização para "arrumar a casa", ou seja, colocar as postagens todas juntas, do tipo 1ºdia, 2ºdia...
Beijocas
terça-feira, 20 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
Fotos do 2º dia
Como a ritinha não conseguiu colocar as fotos do 2º dia, decidi tentar eu e deixar aqui algumas das fotos do dia 10.

Pequeno almoço no tal cafezito em frente ao albergue de Redondela antes de iniciarmos mais uma etapa
Á saída de Redondela

O merecido descanso dos "guerreiros"

Na esplanada junto à rotunda de Pontevedra "picando" um puelvito e revueltos

Finalmente o albergue de Barro. Uns dormiram mesmo no chão mas houve quem por uma boa razão decidisse dormir em cima de um banco :)
E pronto! Estas foram algumas das fotos do 2º dia. Prometo voltar cá para responder ao desafio lançado pelo Zé Tó, mas não hoje nem nos proximos dias que o tempo livre tem sido escasso.
Beijinhos e até à próxima
Pequeno almoço no tal cafezito em frente ao albergue de Redondela antes de iniciarmos mais uma etapa
Á saída de Redondela
O merecido descanso dos "guerreiros"
Na esplanada junto à rotunda de Pontevedra "picando" um puelvito e revueltos
Finalmente o albergue de Barro. Uns dormiram mesmo no chão mas houve quem por uma boa razão decidisse dormir em cima de um banco :)
E pronto! Estas foram algumas das fotos do 2º dia. Prometo voltar cá para responder ao desafio lançado pelo Zé Tó, mas não hoje nem nos proximos dias que o tempo livre tem sido escasso.
Beijinhos e até à próxima
fotos do 2º dia com direito a rato
2º dia Redondela-Barro
Finalmente alguém resolveu passar para o segundo dia. Pena que nem todos tenham partilhado a experiência pessoal do primeiro...
Depois de dormir o que foi possível, ou seja quase nada, chegou a hora de levantar. será que consigo? será que está tudo no sítio? vamos experimentar. um passo atrás do outro, fazendo de nós míseros mortais meios "entrevados", mas lá atravessámos a pequena praça que nos separava do café da frente, onde estava o nosso amigo, puto, mas giro, com a mesma camisa do dia anterior. Pequeno almoço, foto de partida em frente ao albergue lá fomos nós a contrariar o corpo que só pedia para ficar por ali sossegado. mais um dia com subidas infernais e descidas quase nem vê-las. eis que ao fim da subida mais ingreme, vislumbro uma fonte...água...água. eu que sou "esquisita" e que acho qu a água espanhola não é boa, bebi o nécter precioso como se melhor não houvesse. de novo ao caminho até que chegámos a souttoMaior, passámos a ponte romana, uma praia lindíssima. podíamos ficar por aqui, que acham? sem delírios toca a andar. do outro lado da ponte um morador confundiu-me com uma alemã (tem tudo a ver sou alta, loura...) e as setas também nos confundiram... fizeram-nos andar às voltas pelo meio de uma aldeia, muito bonita por sinal, mas nós só queríamos ir para santiago. é aborrecido chegar ao fim da aldeia e ver que voltámos à mesma estrada do ponto de partida. não há condições. poupem-nos. lá continuámos e já não me lembro do caminho até chegar a pontevedra. ao vislumbrar a dita, sentámo-nos logo no primeiro tasco numa pequena esplanada à beira da estrada. e eis que passa o amigo espanhol que dormiu connosco no albergue em redondela. um dois esquerdo direito e sempre a andar... tal como nos contou aquarius, o nosso amigo ulisses que fala tão bem espanhol como português, pediu um "puelbito". Aqui já a alexandra que vinha com as unhas a deitar sangue decidiu que não ia continuar, a Filipa juntou-ae ao grupo e os cavalheiros Ulisses e Zé antónio fizeram questão de ficr com as senhoras. Seguiram 6 e não 4 como referiu aquarius (eu, a minha mana - Lili, a prima Nice, a Ana, a Cristina e aquarius Zetó). Entre paragem na farmácia, no café, no wc, no supermercado para abastecer para o jantar, de facto nunca mais se arrancava, o tempo estava a passar, escurecia e começava a chover. Finalmente lá partimos. Chuva, lama, uma estrada que parecia um pequeno riacho, rodeada de floresta densa e lá fizémos os 10km até Barro. À frente, a bom ritmo, a Ana e a Cristina, de seguida eu e o Zetó e por fim a alguma distância, a Nice e a Lili que atrasaram para que a Nice (e não a LIli) pudesse deixar pelo caminho algum peso... e pudesse continuar porque ali ninguém podia desistir. ao terminar a subida, a miragem da "casa del pulpo" da qual recordamos todos a canjinha com grão de bico que ficará para sempre na memória de quem a provou. Retemperadas as forças, o km final até ao albergue. Chave na porta, sem alberguista, cheiro a mofo, colchões de esponja sem forra, nojentos, espalhados palo chão (por sorte todos seguiram o meu conselho e trouxeram as protecções de colchão que nos deram no albergue anterior, caso contrário, só de pensar pôr um braço de fora e tocar naquela esponja, rrr). banhos, casas de banho enfim, água quente só para os primeiros... hora de tratar dos pés. os das lili pareciam uma árvore de natal com tantas linhas penduradas, os da nice-uma lástima, a ana com as unhas com sangue pisado o que levou o zetó a fazer uma intervenção (picou-lhe a unha com uma agulha quente para drenar o sangue) claro que a ritinha pôs-se ao fresco. os meus, os da cristina e os do zetó-nota 20-sem mazelas. temos visitas, companhia, chegou o marinheiro que vinha procurar as sereias... instalou-se e enquanto a Nice picava as suas bolhas, outros "picavam" uma comidita. a Cristina perguntou-lhe se ele queria "picar" alguma coisa (comida) e a nice que é do sul e não conhece a expressão ofereceu-se prontamente para o "picar" a ele ( ou melhor às bolhas). Seguiu-se uma grande risada que a nice só descodificou no dia seguinte e que queria poder apagar. sono. finalmente vamos poder dormir uma noite sossegada, sem roncas. acham que sim? estão enganados. desde o relógio da igreja que tocava de meia em meia hora, às pequenas roncas que não tinham tido oportunidade para se manifestarem no dia anterior porque não tinham consegudo dormir, e até a companhia de um pequeno e simpático rato que fez andar muitos atrás dele, pôs a nice a dormir em cima de um banco (como s ele não subisse...) e o espanhol (Luís) sempre a dormir. foi uma aventura, mas uma noite santa, pelo menos para mim;-)
até amanhã
Depois de dormir o que foi possível, ou seja quase nada, chegou a hora de levantar. será que consigo? será que está tudo no sítio? vamos experimentar. um passo atrás do outro, fazendo de nós míseros mortais meios "entrevados", mas lá atravessámos a pequena praça que nos separava do café da frente, onde estava o nosso amigo, puto, mas giro, com a mesma camisa do dia anterior. Pequeno almoço, foto de partida em frente ao albergue lá fomos nós a contrariar o corpo que só pedia para ficar por ali sossegado. mais um dia com subidas infernais e descidas quase nem vê-las. eis que ao fim da subida mais ingreme, vislumbro uma fonte...água...água. eu que sou "esquisita" e que acho qu a água espanhola não é boa, bebi o nécter precioso como se melhor não houvesse. de novo ao caminho até que chegámos a souttoMaior, passámos a ponte romana, uma praia lindíssima. podíamos ficar por aqui, que acham? sem delírios toca a andar. do outro lado da ponte um morador confundiu-me com uma alemã (tem tudo a ver sou alta, loura...) e as setas também nos confundiram... fizeram-nos andar às voltas pelo meio de uma aldeia, muito bonita por sinal, mas nós só queríamos ir para santiago. é aborrecido chegar ao fim da aldeia e ver que voltámos à mesma estrada do ponto de partida. não há condições. poupem-nos. lá continuámos e já não me lembro do caminho até chegar a pontevedra. ao vislumbrar a dita, sentámo-nos logo no primeiro tasco numa pequena esplanada à beira da estrada. e eis que passa o amigo espanhol que dormiu connosco no albergue em redondela. um dois esquerdo direito e sempre a andar... tal como nos contou aquarius, o nosso amigo ulisses que fala tão bem espanhol como português, pediu um "puelbito". Aqui já a alexandra que vinha com as unhas a deitar sangue decidiu que não ia continuar, a Filipa juntou-ae ao grupo e os cavalheiros Ulisses e Zé antónio fizeram questão de ficr com as senhoras. Seguiram 6 e não 4 como referiu aquarius (eu, a minha mana - Lili, a prima Nice, a Ana, a Cristina e aquarius Zetó). Entre paragem na farmácia, no café, no wc, no supermercado para abastecer para o jantar, de facto nunca mais se arrancava, o tempo estava a passar, escurecia e começava a chover. Finalmente lá partimos. Chuva, lama, uma estrada que parecia um pequeno riacho, rodeada de floresta densa e lá fizémos os 10km até Barro. À frente, a bom ritmo, a Ana e a Cristina, de seguida eu e o Zetó e por fim a alguma distância, a Nice e a Lili que atrasaram para que a Nice (e não a LIli) pudesse deixar pelo caminho algum peso... e pudesse continuar porque ali ninguém podia desistir. ao terminar a subida, a miragem da "casa del pulpo" da qual recordamos todos a canjinha com grão de bico que ficará para sempre na memória de quem a provou. Retemperadas as forças, o km final até ao albergue. Chave na porta, sem alberguista, cheiro a mofo, colchões de esponja sem forra, nojentos, espalhados palo chão (por sorte todos seguiram o meu conselho e trouxeram as protecções de colchão que nos deram no albergue anterior, caso contrário, só de pensar pôr um braço de fora e tocar naquela esponja, rrr). banhos, casas de banho enfim, água quente só para os primeiros... hora de tratar dos pés. os das lili pareciam uma árvore de natal com tantas linhas penduradas, os da nice-uma lástima, a ana com as unhas com sangue pisado o que levou o zetó a fazer uma intervenção (picou-lhe a unha com uma agulha quente para drenar o sangue) claro que a ritinha pôs-se ao fresco. os meus, os da cristina e os do zetó-nota 20-sem mazelas. temos visitas, companhia, chegou o marinheiro que vinha procurar as sereias... instalou-se e enquanto a Nice picava as suas bolhas, outros "picavam" uma comidita. a Cristina perguntou-lhe se ele queria "picar" alguma coisa (comida) e a nice que é do sul e não conhece a expressão ofereceu-se prontamente para o "picar" a ele ( ou melhor às bolhas). Seguiu-se uma grande risada que a nice só descodificou no dia seguinte e que queria poder apagar. sono. finalmente vamos poder dormir uma noite sossegada, sem roncas. acham que sim? estão enganados. desde o relógio da igreja que tocava de meia em meia hora, às pequenas roncas que não tinham tido oportunidade para se manifestarem no dia anterior porque não tinham consegudo dormir, e até a companhia de um pequeno e simpático rato que fez andar muitos atrás dele, pôs a nice a dormir em cima de um banco (como s ele não subisse...) e o espanhol (Luís) sempre a dormir. foi uma aventura, mas uma noite santa, pelo menos para mim;-)
até amanhã
sábado, 10 de julho de 2010
TOCA A SEGUIR, QUE SE FAZ TARDE...
Já sinto as pernas presas de não passar do primeiro dia, que me vou fazer ao caminho!
Segundo dia, 10 de Junho, feriado em Portugal. E o que é que isso interessa se agora o que cada um está a fazer é o inventário do seu sistema músculo esquelético, à mesa do tal cafezito do rapaz bem apessoado, por terras de Redondela. Tudo bem contado não falta nada - os músculos, ossos, tendões estão todos, e já estamos em frente do albergue para a fotografia de partida (essa que aparece num post anterior), todos sorridentes. Sai-se de Redondela a subir, que doutra forma nem nos lembraríamos, porque o raio do caminho deve levar ao céu que não me lembro de nenhuma descida ligeira - há umas descidas que dão cabo dos gémeos e dos costureiros(são músculos, não é gente!), mas isso era quando desistíamos da salvação e parecíamos rumar ao Inferno. Mas minto - ainda o dia ia leve e descíamos uma vereda, com a Ria de Pontevedra de cenário pela esquerda, passa por mim um atlético caminheiro, em passo acelerado e tão arranjadinho que logo na minha mente assentei que era bávaro o rapaz. E por isso nessa noite foi em inglês que a ele me dirigi quando vi que pretendia assentar arraiais ao meu lado... mas isso foi muita chuva depois! Por essa altura chegávamos a Soutomayor e percorríamos um belíssimo trecho, ainda sem chuva que essa só chegaria pela tardinha. Atravessada a ponte romana e calcorreando as ruas típicas de lage da povoação seguinte, era no céu que nos sentíamos. O atento transeunte achou que a Rita era alemã, ou de outro estrangeiro qualquer e que nós devíamos ser uma cambada de idiotas, porém, alegres!
Depois o mastigar de quilómetros é que torna a coisa mais dorida e aquela estrada para chegar a Pontevedra, não ganhou nada em ser tão comprida! Portanto lá fomos encostando naquela esplanada ao pé da Rotunda que anunciava a capital da província. E não é que não foi mesmo um puelvito, junto com a tortilha e os revueltos ...
E aqui começaram-se a deitar contas à vida: alguns já tinham dado tudo para o peditório do dia, outros ainda se sentiam nuito generosos e por último houve aqueles que não quiseram ficar atrás (duns e doutros). Para minha surpresa a Alexandra, que vinha em tão boa pedalada, resolveu ficar; sem surpresa o Ulisses acompanhou cavalheirescamente as duas damas mais necessitadas; a Eunice começando a revelar uma têmpera que me surpreendeu até ao último dia, continuou; a Ana sabia ao que ia e portanto "seja o que fôr preciso". E dessa foram se deu a Grande Cisma do Caminho - quatro ficaram para dormir em Pontevedra, o que se revelou fatal e os outros quatro prosseguiram para Bairro, 12 ou 13 Kms à frente e outros tantos metros cúbicos de água, por cabeça, que Deus é grande e resolveu pô-los à prova. À prova mesmo esteve a Lili, que enquanto lhe caíam cântaros por cima, despejava alguidares por baixo...
Atrasada a saída de Pontevedra, com a chuva a engrossar e a tarde a cair, tive o único momento do caminho em que me arrependi de levar tantas mulheres por companhia! E ainda por cima se nos haviam de juntar como companheiras de ocasião mais seis, meio dondocas, que faziam o caminho em regime de jogging assistido!
O bucólico caminho na margem fresca de um ribeiro, mais parecia o cenário de um combate na lama. Roupa irremediávelmente encharcada, jorros de lama nas inclinações, trajectos alagados sem alternativa e aquelas inspiradoras lesmas castanhas gigantes. Cada um guardará deste trajecto as memórias próprias, mas uma coisa é certa - quanto mais custa, mais gozo dá!
Quando os ossos começavam, também eles a ser irrigados pela chuva que já perspassara a pele, os músculos, as aponevroses, eis que lampeja no horizonte duma subida o mirífico anúncio, envolto em eflúvios celestiais de CASA del PULPO.
Ir-se-iam os caminheiros abrigar debaixo dum telhado a comer os membros tenros do molusco?
Não conhecem a alma desta gente - ficaram ao ar livre, ainda que abrigados por um modesto alpendre e foi então que todas as contrariedades do dia ficaram neutralizadas por uma canja com garbanzos, quente e retemperadora.
Daí até ao albergue foi um pulo e o que mais se passou nesse dia deixo para quem venha a seguir, embora não deixe de lembrar as sábias palavras da Lili, que considerou aquele tugúrio o melhor poiso de todo o caminho ... E verdade que não faltaram surpresas ... Cá esperamos o depoimento, sentido, claro, da Eunice... E porque não chamar a depôr o recém chegado a quem queriam "picar"! Um noite inolvidável ...
Segundo dia, 10 de Junho, feriado em Portugal. E o que é que isso interessa se agora o que cada um está a fazer é o inventário do seu sistema músculo esquelético, à mesa do tal cafezito do rapaz bem apessoado, por terras de Redondela. Tudo bem contado não falta nada - os músculos, ossos, tendões estão todos, e já estamos em frente do albergue para a fotografia de partida (essa que aparece num post anterior), todos sorridentes. Sai-se de Redondela a subir, que doutra forma nem nos lembraríamos, porque o raio do caminho deve levar ao céu que não me lembro de nenhuma descida ligeira - há umas descidas que dão cabo dos gémeos e dos costureiros(são músculos, não é gente!), mas isso era quando desistíamos da salvação e parecíamos rumar ao Inferno. Mas minto - ainda o dia ia leve e descíamos uma vereda, com a Ria de Pontevedra de cenário pela esquerda, passa por mim um atlético caminheiro, em passo acelerado e tão arranjadinho que logo na minha mente assentei que era bávaro o rapaz. E por isso nessa noite foi em inglês que a ele me dirigi quando vi que pretendia assentar arraiais ao meu lado... mas isso foi muita chuva depois! Por essa altura chegávamos a Soutomayor e percorríamos um belíssimo trecho, ainda sem chuva que essa só chegaria pela tardinha. Atravessada a ponte romana e calcorreando as ruas típicas de lage da povoação seguinte, era no céu que nos sentíamos. O atento transeunte achou que a Rita era alemã, ou de outro estrangeiro qualquer e que nós devíamos ser uma cambada de idiotas, porém, alegres!
Depois o mastigar de quilómetros é que torna a coisa mais dorida e aquela estrada para chegar a Pontevedra, não ganhou nada em ser tão comprida! Portanto lá fomos encostando naquela esplanada ao pé da Rotunda que anunciava a capital da província. E não é que não foi mesmo um puelvito, junto com a tortilha e os revueltos ...
E aqui começaram-se a deitar contas à vida: alguns já tinham dado tudo para o peditório do dia, outros ainda se sentiam nuito generosos e por último houve aqueles que não quiseram ficar atrás (duns e doutros). Para minha surpresa a Alexandra, que vinha em tão boa pedalada, resolveu ficar; sem surpresa o Ulisses acompanhou cavalheirescamente as duas damas mais necessitadas; a Eunice começando a revelar uma têmpera que me surpreendeu até ao último dia, continuou; a Ana sabia ao que ia e portanto "seja o que fôr preciso". E dessa foram se deu a Grande Cisma do Caminho - quatro ficaram para dormir em Pontevedra, o que se revelou fatal e os outros quatro prosseguiram para Bairro, 12 ou 13 Kms à frente e outros tantos metros cúbicos de água, por cabeça, que Deus é grande e resolveu pô-los à prova. À prova mesmo esteve a Lili, que enquanto lhe caíam cântaros por cima, despejava alguidares por baixo...
Atrasada a saída de Pontevedra, com a chuva a engrossar e a tarde a cair, tive o único momento do caminho em que me arrependi de levar tantas mulheres por companhia! E ainda por cima se nos haviam de juntar como companheiras de ocasião mais seis, meio dondocas, que faziam o caminho em regime de jogging assistido!
O bucólico caminho na margem fresca de um ribeiro, mais parecia o cenário de um combate na lama. Roupa irremediávelmente encharcada, jorros de lama nas inclinações, trajectos alagados sem alternativa e aquelas inspiradoras lesmas castanhas gigantes. Cada um guardará deste trajecto as memórias próprias, mas uma coisa é certa - quanto mais custa, mais gozo dá!
Quando os ossos começavam, também eles a ser irrigados pela chuva que já perspassara a pele, os músculos, as aponevroses, eis que lampeja no horizonte duma subida o mirífico anúncio, envolto em eflúvios celestiais de CASA del PULPO.
Ir-se-iam os caminheiros abrigar debaixo dum telhado a comer os membros tenros do molusco?
Não conhecem a alma desta gente - ficaram ao ar livre, ainda que abrigados por um modesto alpendre e foi então que todas as contrariedades do dia ficaram neutralizadas por uma canja com garbanzos, quente e retemperadora.
Daí até ao albergue foi um pulo e o que mais se passou nesse dia deixo para quem venha a seguir, embora não deixe de lembrar as sábias palavras da Lili, que considerou aquele tugúrio o melhor poiso de todo o caminho ... E verdade que não faltaram surpresas ... Cá esperamos o depoimento, sentido, claro, da Eunice... E porque não chamar a depôr o recém chegado a quem queriam "picar"! Um noite inolvidável ...
segunda-feira, 5 de julho de 2010
O caminho hoje
Imaginem-se hoje no caminho, com 37º. O que é que mais queriam? A mim claro...
Cristina, temos novelista!, isto está a prometer ...
Cristina, temos novelista!, isto está a prometer ...
quinta-feira, 1 de julho de 2010
No princípio era o verbo... ir
Quando o dia começou, às sete da matina, no local previamente combinado, primeiro foi o conhecimento dos elementos vindos do Sul. 1ª impressão boa. Depois, foi tirar o ar de surpresa da cara de alguns dos "colegas" pela minha presença. (até hoje estou para perceber!!!) De seguida, o nervoso miudinho na estação de comboios de Viana. Logo ali, o encontro com malta conhecida: não via a Renata e a irmã há anos e vamo-nos logo encontrar ali! E a doce da Linda! A viagem até Valença com a pergunta na mente: será que vou conseguir? Oito e meia da manhã, chuva a ameaçar cair com mais intensidade, mochila às costas, ar aterrador e siga que prá frente é que é o Caminho. Começamos bem, cheios de enregia e a parar de 100 em 100 metros para foto. Cinco kilometros depois, já a veia de fotografos lhes tinha passado!!! Na Catedral de Tuy ainda o entusiasmo era grande. Confesso que a passar a zona industrial de Porrino, já a coisa esmorecia. Por companheiro de jornada para 1º dia, o amigo Zé António. E caminhavamos. Ao passar no Albergue de Mós a tentação foi grande. Eu ficava já ali. À nossa frente uma subida, quase a pique, prá aí com 5 Km (mentira, eram 500 metros, mas juro que era o que parecia!!!), mas a malta é masoquista e vamos lá. E andamos e subimos e - horror - descemos muito Caminho. Pelo meio, encontramos uns cromos (lembras-te Nice?) que estiveram quase quase a levar com o pau pelas costas. E quando tal, a informação aterradora de que ainda faltavam três Km até chegar a um banho quente e uma cama. Confesso: chorei. De desespero, de angústia, de frustração. Mas lá consegui transformar tudo isto em vontade de chegar ao centro de Redondela. A subida para a camarata foi feita de gatas, literalmente. Doía tudo, até a alma. Fui a primeira a chegar. Pousei a mochila e voltei a descer as escadas à espera dos companheiros, e cada um que chegava era a satisfação. Depois do banho e vistas as mazelas, era hora de comer qualquer coisa. A custo, conseguimos atravessar a Praça. O tipo do café era além de simpático, giro. Pena não ter o hábito de mudar de camisa, mas isso já são outros quinhentos!!! A noite tenebrosa!!! Para além dos ataques epiléticos dos amigos da frente, havia o gajo que fala a dormir e (mil perdões Zé António!) o homem que mais ronca à face da terra. Já agora, vocês os dois não voltam a dormir no mesmo edifício que eu. Sim, edifício!!! (Obrigada Lili pela boa vontade de me cederes um lugarzinho ao pé de ti :=) ) às voltas na cama, só pensava que na manhã seguinte não iria ter coragem para continuar. Estava demasiado dorida e cansada. Quando finalmente o meu companheiro do lado esquerdo se calou e o do lado direito teve pena de mim e decidiu levantar-se, adormeci. Foi um soninho reparador. Às sete lá estava a pé, mochila às costas e bora lá tomar o pequeno almoço. Depois logo se via...
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